Desde muito tempo surgiram linhas de pesquisa para que fossem desenvolvidas técnicas que possibilitassem o transplante cardíaco. O primeiro realizado feito em animais ocorreu no ano de 1905, realizado por Alexis Carrel, que empregou um transplante cardíaco heterotópico em um cão. A partir dessa data diversos estudos começaram a ser realizados, quando na década de 50 foi desenvolvido um sistema de desvio cardiopulmonar tornou-se possível os transplantes ortotópicos.
O primeiro transplante cardíaco em humanos foi realizado em dezembro de 1967, em Capetown na África do Sul, por Christian Barnard. Fato este que deu início a uma série de grandes interesses em outros centros em todo o mundo, conferindo até 1971 o marco de 170 transplantes realizados por 65 equipes cirúrgicas. Esse grande interesse logo cessou, pois a sobrevida de um ano ocorreu em apenas 15 por cento dos pacientes. Foi no início dos anos 80 que essa técnica firmou-se como tratamento de cardiopatia terminal, com os adventos de tratamento e imunossupressão que tornaram a técnica bem-sucedida. O primeiro transplante cardíaco realizado na América Latina foi feito por E. J. Zerbini, no Hospital das Clínicas de São Paulo em 25 de maio de 1968, foram realizados três transplantes sem complicações cirúrgicas, apesar da curta sobrevida dos pacientes que vieram a falecer no primeiro ano pós-cirúrgico.
O tratamento imunossupressor empregado na época era constituído por um tipo de soro anti-linfocitário, corticosteróides e azatioprina (limitado por toxicidade medular e consequente leucopenias acentuadas). O uso indiscriminado de esteróides, levava à complicações de caráter diversos, sobretudo infecciosas e metabólicas que surgiam à curto e longo prazo. Os esteróides são eficientes para o tratamento episódico da rejeição aguda em doses elevadas intravenosas, mas não tem efeitos imunossupressores adequados quando administrados por via oral.
A partir da década de 80 uma nova fase foi observada em se tratando de transplantes cardíacos, com o advento do uso da ciclosporina. No ano de 1980 foi realizado o primeiro implante do conjunto cardiopulmonar, em Stanford na Califórnia. A ciclosporina é um constituinte protéico de origem de fungos, que pode bloquear seletivamente o efeito estimulador da interleucina-2 (IL-2) nos linfócitos T (células citolíticas do sistema imune: estas destroem células que apresentem proteínas diferentes das células do organismo). O uso aliado de técnicas como a biópsia endomiocárdica possibilitou o uso dirigido de corticosteróide. Esses novos adventos levaram a uma redução notável de mortalidade por infecções e rejeição.
Após a realização de transplante os pacientes são submetidos a um acompanhamento e médico, onde são avaliados achados de possíveis rejeição ao órgão transplantado através de biópsias de rotina feita cerca de deis dias após a cirurgia e repetida semanalmente durante 3 semanas, quando os achados encontram-se dentro da normalidade, a avaliação passa a ser não invasiva, com a realização de mapeamento e ecocardiograma, além de avaliação clínica e exames subsidiários necessários, essa rotina é realizada com intervalos de tempo cada vez maiores na ausência de alterações. Os pacientes submetidos à transplantes requerem um cuidado especial no que diz respeito à sinais ou sintomas que possam vir a surgir tempos após a cirurgia, com alterações no ritmo cardíaco, alguma alteração de função detectada no ecodcardiograma, bem como outras manifestações como febre baixa, mal estar, dificuldade de respirar.
Uma série de recomendações são passadas ao paciente transplantado a fim de que este tenha consciência dos cuidados a serem mantidos para sua saúde e qualidade de vida e para que não faça nenhuma imprudência que possa trazer complicações ao seu quadro clínico estável. Dentre os novos hábitos de vida esta a adequação à uma dieta prescrita individualmente, na qual em geral é reduzida a quantidade de ingestão de sal. Outro cuidado que merece ser ressaltado é com relação aos vícios, tabagismo, etilismo (uso de bebidas alcoólicas), que devem ser totalmente abolidos. A prática de atividade física adequada ao perfil do paciente deve ser feita e devidamente acompanhada por profissionais da área habilitados. Seguindo todas a recomendações e fazendo o devido acompanhamento ambulatorial, é possível ter uma boa qualidade de vida, bem como uma longevidade maior.
Referências Bibliográficas:
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VILLA, Andrade, José Henrique. BRANCO, R. João Nelson. Pós-operatório no Transplante Cardíaco e Cardiopulmonar. In: Tratado de Cardiologia SOCESP/editores Carlos V. Serrano Jr., Ari Timerman, Edson Stefanini – 2. ed. – Barueri, SP: Manole, 2009.