Dentre os principais objetivos da avaliação de pacientes hipertensos, estão; a definição da intensidade da hipertensão arterial sistêmica, a pesquisa de lesões em órgãos-alvo, bem como a pesquisa de outros fatores de risco cardiovasculares. A hipertensão arterial é caracterizada por elevação dos níveis pressóricos acima do normal característico a uma faixa etária e condição clínica, níveis estes mensurados e respaldados em estudos epidemiológicos correlacionando risco de morbidade e mortalidade cardiovascular. O método de escolha eleito para aferição é o indireto através da técnica auscultatória, para o qual são utilizados o esfigmomanômetro e o estetoscópio.
O exame de fundo de olho é empregado rotineiramente possibilitando a avaliação de efeitos da hipertensão no leito vascular, a retina é um tecido que permite a visualização direta dos vasos sanguíneos que compões a circulação retiniana, formada por artéria e veia central e suas respectivas ramificações.
Sendo a retinopatia hipertensiva uma condição que ocorre em pacientes que apresentem hipertensão arterial, o uso de um método para diagnóstico deste quadro é parte da avaliação clínica destes pacientes, essa condição é caracterizada por um conjunto de alteraçãoes detectáveis através de sinais nos vasos sanguíneos retinianos, o método rotineiro de exame empregado é a oftalmoscopia direta. Atualmente está ganhando espaço outro método que tem mostrado alta reprodutibilidade na avaliação de microaneurismas, hemorragias e cruzamentos arteriovenosos anormais, bem como estreitamentos arteriolares focais ou generalizados.
As retinopatias podem ser caracterizadas e agrupadas em três categorias:
Retinopatias Leves: onde são observados alterações na parede dos vasos decorrente da hipertensão, são representadas por arteriolosclerose que é um aumento da parede do vaso decorrente de remodelamento vascular com aumento da quantidade de colágeno. Essa condição pode levar ao chamado “fios de cobre” que é uma reflexão da luz pela parede do vaso sanguíneo com cor característica marrom-avermelhado, a evolução do quadro pode alterar a coloração passando a ser chamada de “fios de prata”, é comum também a diminuição da largura da coluna de sangue no interior do vaso. Os cruzamentos arteriovenosos ocorrem devido à compressão que as artérias espessadas fazem sobre as veias, esta condição pode se complicar pela oclusão do vaso e interrupção da drenagem sanguínea. Retinopatia Moderada: podem surgir áreas de infarto, pequenas áreas esbranquiçadas denominadas “exsudatos algodonosos”, também é comum ocorrer em decorrência da hipertensão; hemorragias intra-retinianas devido à ruptura da barreira hematorretiniana e ainda aneurismas microscópicos. O extravasamento de plasma sanguíneo para a mácula acarreta edema e diminuição da visão. Retinopatia Grave: neste quadro clínico ocorrem as alterações mencionadas anteriormente em associação à lesão hipertensiva no nervo óptico, chamada de edema do disco, que por sua vez, é consequência de vários fatores, os mais relevantes a isquemia e o aumento de pressão intra-ocular e também intracraniana.
Estudos realizados indicam que a aplicação da oftalmoscopia direta como método diagnóstico, apresenta grande imprecisão e variação interobservador. A frequência de ocorrência da retinopatia hipertensiva é subestimada devido à carência de estudos referentes a essa afecção, bem como da metodologia aplicada com os métodos diagnósticos e a divergência dos fatores relevantes a serem verificados para determinar a condição de retinopatia. Indicam também que alguns dos sinais comuns da retinopatia são preditores de acidente vascular encefálico. Portanto é notória a necessidade de serem instituídos acompanhamento e intervenções intensas em pacientes que apresentem lesões desta natureza, bem como, internação e tratamento imediato dos que apresentem edema papilar.
Referências Bibliográficas:
COLOMBO, Consolim, M, Fernanda. PLAVNIK, Lidiane, Frida. ZANELLA, Maria Teresa. Avaliação do Paciente Hipertenso. In: SOCESP. Tratado de Cardiologia, 1. ed. Barueri, SP, 2005.
Arquivos Brasileiros de CARDIOLOGIA. Rio de Janeiro: volume 95, N° 2, ISSN-0066-782X, Agosto 2010, Sociedade Brasileira de Cardiologia. Direct Ophthalmoscopy versus Detection of Hypertensive Retinopathy: A comparative Study.