O Papel da Obesidade nas Doenças Cardiovasculares

 

A obesidade é um fator preditivo de risco para doenças cardiovasculares que tem tido aumento de prevalência acentuada em populações de países industrializados. É uma doenças multifatorial que incide principalmente em decorrência de fatores genéticos, de hábitos de vida e ambientais. A ocorrência em concomitância com um ou mais outros fatores de risco cardiovascular é comum, constitui porém fator de risco independente.
Segundo estudos com populações ao ultrapassar 30kg/m² de IMC: Índice de Massa Corpórea, o risco de ocorrência de doenças cardiovasculares aumenta acentuadamente. O local de distribuição da gordura corporal deve ser adequadamente avaliado, pois aquela com localização abdominal, chamada comumente de “gordura visceral” tem íntima relação com a ocorrência de doença arterial coronariana, e é facilmente identificada na clínica através de uma medida de referência para homens de 106 cm de circunferência abdominal e para mulheres de 94 cm, pacientes que ultrapassam essas medidas estão inseridas nesta categoria de riscos.
Assim como corre no diabetes adquirido e na hipertensão arterial sistêmica, a obesidade contribui para resistência à insulina, segundo dados; para provocar dilatação vascular para irrigação da musculatura esquelética, é requerida uma dose de insulina quatro vezes superior à aquela necessária em um indivíduo de menor peso, também a rigidez arterial reduz-se apenas com o dobro da dose de insulina necessária para um indivíduo com peso normal. Há um comprometimento da vasodilatação epitélio dependente, devido déficit de liberação do vasodilatador óxido nítrico NO.
A obesidade assim como outros fatores, pode levar a um quadro de insuficiência cardíaca. Um destes outros que deve ser ressaltado, é a resistência à insulina, que por sua vez, também pode levar ao quadro da insuficiência cardíaca, portanto forma-se um ciclo vicioso. A insuficiência cardíaca pode levar ao aumento da resistência à insulina e diabetes adquirida através do sistema renina-angiotensina, da disfunção endotelial e da maior atividade do sistema nervoso autônomo simpático, este último é responsável pelas respostas do organismo ao stress. O aumento do volume circulante de sangue, nos indivíduos com sobrepeso tem uma série de implicações sobre a fisiologia cardíaca, devido ao aumento de massa miocárdica decorrente de maior trabalho do coração, a adequada nutrição deste órgão pode ficar prejudicada, pois há um comprometimento da circulação coronariana.
Outras consequências que surgem sobre o sistema circulatório, como hipertensão arterial sistêmica e aumento do volume do coração podem aparecer. E mesmo na ausência de hipertensão sistêmica pode ocorrer hipertrofia (crescimento) do ventrículo esquerdo. Já a hipertrofia ventricular direita geralmente ocorre devido à hipertensão da circulação pulmonar, bem como da ocorrência de apnéia noturna obstrutiva.
A apnéia noturna obstrutiva pode ocorrer por uma disfunção da mobilidade do músculo diafragma devido ao aumento de tecido adiposo (gordura) na região abdominal, esse acúmulo de gordura também tem íntima relação com a resistência à insulina. A ocorrência da apnéia leva ao aumento do stress oxidativo, no qual ocorre liberação de catecolaminas bem como de citocinas inflamatórias, estas estão diretamente relacionada com disfunções endoteliais.
O acompanhamento por uma equipe multiprofissional é de fundamental importância para o adequado controle do quadro clínico do paciente, direcionando todos os aspectos modificáveis de hábitos de vida, para uma perda gradual de peso, para que haja melhorias na qualidade de vida do mesmo, bem como no controle da situação clinica. A prática de atividade física é imprescindível podendo ou não ser acompanhada de terapia medicamentosa. O suporte psicológico pode ser necessário em indivíduos que apresenta em comorbidade, necessidade aumentada de ingerir alimentos.
 
 
Referências Bibliográficas:
OLIVEIRA, Ferreira, Sérgio. Cardiopatia e Obesidade. In: SOCESP. Tratado de Cardiologia, 1. ed. Barueri, SP, 2005.
SANTOS, José Ernésto. Obesidade e Sobrepeso. In: SOCESP. Tratado de Cardiologia, 1. ed. Barueri, SP, 2005.